Mar 31 2017

Arranjos Urbano-Regionais no Brasil: uma análise com foco em Curitiba

A reflexão sobre arranjos urbano-regionais, uma categoria es­pacial híbrida, complexa, em expansão contínua, se mostra necessária no contexto da propagação de configurações urbanas cada vez mais estendidas, caracterizadas como grandes aglomerações, algumas vezes aglutinadas a outras, conformando grandes regiões urbanas. O tema, que já foi objeto de análise de Lefebvre (1991), ganhou recentemente destaque na obra de Neil Brenner, “Implosions/explosions. Towards a study of planetary urbanization”, publicada pela Jovis, Berlin, em 2013. Brenner mostra que desde o início da revolução industrial vem se dando uma metamorfose urbana, com uma completa descaracteri­zação da “cidade” como entendida em suas origens. No movimento apontado por Lefebvre, de implosão e explosão da cidade, percebido em uma dinâmica de expansão cada vez mais universal, “aglomerações se formam, se expandem, se contraem e se transformam de maneira contínua, porém sempre por intermédio de densas redes de relações com outros lugares, territórios e escalas, incluídos os âmbitos tradi­cionalmente classificados como alheios à condição urbana” (Brenner, 2013, p.61). Tal movimento confirma a advertência de Lefebvre de que já foi cruzado o ponto crítico da urbanização completa e que ago­ra, embrenha-se na “urbanização planetária”, como resgata Brenner.

Mesmo sob uma lógica comum, especificidades locais dessas no­vas aglomerações formatam unidades diversas, para as quais se atribui um amplo leque de vocábulos, muitas vezes compostos e quase sempre associados à ideia original de cidade. Sobre eles, o próprio Brenner (2013, p.16) conclui que “de fato, muitos termos têm sido postos para rotular a cidade como unidade em questão — metrópole, conurbação, cidade-região, área metropolitana, megalópole, zona megapolitana e assim por diante — e estes refletem adequadamente a mudança de limites, morfologias e escalas dos padrões de assentamento humano». A denominação genérica “arranjos urbano-regionais”, inclui-se entre esse conjunto de termos.

Em razão dessas novas configurações espaciais, sugere Brenner que no plano teórico a compreensão do urbano pressupõe ultrapassar a condição socioespacial limitada, nodal e relativamente fechada em si mesma, em favor de uma concepção processual, territorialmente diferenciada, morfologicamente variável e multiescalar, construída a partir de vários conceitos, métodos e assignações. Uma concepção li­gada sobretudo ao enfoque de Lefebvre, em sua busca por superar a brecha urbano/não urbano, para desenvolver uma nova visão da teo­ria urbana, sem um “fora”.

O conteúdo desta pesquisa, concluída em 2009, oferece elemen­tos empíricos para essa proposição. Alguns de seus aspectos específi­cos já foram objetos de publicações pela autora em anais de eventos, periódicos e capítulos de livros. Da mesma forma, alguns dos arranjos urbano-regionais tornaram-se temas de investigações por pesquisado­res nacionais e de outros países da América do Sul. Em todos os casos, os resultados confirmaram a natureza e as características anteriormen­te apontadas. No momento da divulgação dos resultados do Censo 2010, foi atualizada a análise fatorial que sustentou o processo identi­ficador das unidades em território nacional, confirmando os arranjos urbano-regionais e ampliando seu universo com algumas aglomera­ções urbano-regionais e arranjos espaciais singulares.

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